segunda-feira, 18 de outubro de 2010
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sexta-feira, 23 de julho de 2010
Na estrada
Ps.: Agora eu choro, não poderia chorar antes, para não ter suas últimas imagens desfocadas.
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domingo, 30 de maio de 2010
Noutro Lugar
E eu costumo passear por aquele antigo jardim com cheiro de maçãs podres no centro da cidade, um suave aroma misturado com as essências de jasmins brancas, amarelas e de uma cor meio estranha, talvez desconhecida, ou conhecida por tal pessoa que vai aquele mesmo lugar todas as manhãs claras de primavera, e nas melancólicas tardes de outono. Mas em uma respiração escassa, prefiro os raios de sol queimando minhas retinas, uma claridade intensa até suportável, aparentemente calma. Um solitário metro quadrado de grama grita toda vez que ali percebe minha presença, é como se chorasse implorando um pouco de minha atenção, isto parece insignificante, mas é naquele minucioso espaço gramado que quase diariamente permito tirar o salto de uma grande mulher executiva que a sociedade me obrigada ser, para juntar os retalhos dos sonhos que ainda me restam. E o cheiro das maçãs podres alcança minhas narinas e surpreendentemente me arrancam um sorriso, seguidas de algumas gargalhadas que terminam ao perceber que existiam olhos a me reprimir, e recuo para meu paraíso perdido. Estou novamente pensativa. E os meus olhos vêem adiante do que minha vista alcança. É além. Não culpo ninguém por esta minha vida inexpressiva, não tenho direito de jogar nas costas de outra pessoa as minhas próprias derrotas, ainda tento ter o bom senso, e esse poder de persuasão em certos momentos me deixa leve, tão leve quanto uma folha que cai de uma laranjeira tão imensa que me impressiona, em uma queda livre chega ao chão sem barulho.
Os meus fantasmas são os meus próprios medos, eles teimam em me perseguir. Já chorei, bati pé, fingi um desmaio, mas eles permanecem intactos ao meu lado, até de certa forma aprendi a conviver com eles, uma eterna assombração. Mas não naquele jardim, parece que há na entrada, uma proibição para o invisível tenebroso, o jardim me trás paz. Consigo ler até alguns romances que me arrancam lágrimas e sussurros baixinhos, principalmente quando o final é feliz, diferente do meu. Não que ele tenha sido completamente triste, não serei incrédula ao dizer que ele não deu certo, lógico que deu, mas no tempo que durou. Se eu soubesse da existência deste jardim na época, teria vindo algumas vezes aqui para enamorar, não que isto mudasse a minha história, mas este ar puro faz bem a qualquer relacionamento, e se tivesse torradas com geléia de morango tudo ficaria mais colorido e gostoso. Percebo que ao redor de alguns casais os pássaros cantam um soneto de amor que jamais será reproduzido por instrumento algum, cria-se um clima de romance impecável, até invejável.
Despeço de minha grama favorita, ela reclama um pouco, mas não dou ouvidos, o jardim é imenso, e antes que o sol durma, ainda preciso pegar uma, ou duas das flores que enriquecem de beleza este lugar, a natureza não seria egoísta de me negar um pouco quase nada de sua felicidade, preciso depositá-las no cemitério da minha cabeça, é difícil conviver com lembranças aparentemente mortas, ainda rezo todos os dias para que elas se vão em paz. E por hoje é só, voltarei caminhando para casa carregando aquele cheiro podre que me acompanhou por todo o meu passeio. Amanhã espero o sol brilhando mais forte, enfeitando o céu um arco-íris com cores bem visíveis, paisagem indescritivelmente perfeita para uma oração no horizonte. Então que seja belo.
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segunda-feira, 24 de maio de 2010
[...] Estação

As minhas feições melancólicas deixavam toda a praça central da Nova Zelândia com pena de mim. As luzes escassas permitiam ao cenário uma tristeza indescritível. Eu não me importava. Crianças incansavelmente esculpiam um boneco de neve, enquanto suas mães desviavam os olhares minuciosos para um cara de vestes impróprias, para menos de sete graus que fazia, sentado em um banco do outro lado, com uma maçã entre suas mãos. Ele cantarolava baixinho. E este homem sou eu. Nunca fui íntimo do inverno, é uma estação de más lembranças. Deveríamos está dentro de um chalé com o aquecedor ligado e uma música ao fundo, Taylor Swift seria legal, não quão fazer sexo ouvindo Celebration de Madonna, mas não deixava de ser interessante. Ela usaria um vestido curto vermelho de um decote excitante, onde prenderia minha atenção nos primeiros segundos em que ela entrasse pela porta, e a roupa seria tão colada que na hora em que eu fosse tirá-la pensaria que ela pôs Super Bond, para que eu não ousasse tocá-la. Tolice. Salto alto, cabelos desfeitos e um sorriso perfeito. Uma taça de vinho do porto, legítima de Portugal, ajudaria a esquentar à noite, acompanhada de uma fondue de queijo ou de chocolate, a sua preferência. E quando chega pelo fim da garrafa, tento ser um cavalheiro chamando a donzela para dançar. Tiramos nossos sapatos e começamos a girar. Ela pisa no meu pé, eu sorrio. Fica ruborizada por está tonta e deixa-se conduzir. Nossos corpos juntos dançando em círculo chegam até a sala de estar, roda, roda, roda. Eu paro e a admiro, ela continua a rodar sem sair de onde estava, até debruçar sobre mim, cairmos sobre o tapete ao lado de uma lareira e de tanto rir, adormecermos abraçados um com o outro. Mas aqui estou sentando em uma praça central, vendo as mães indo embora com seus filhos super agasalhados, talvez a temperatura tenha caído mais um pouco. Novamente percebo que uma ou outra das mulheres olham para aquele homem triste e sozinho, cantando baixo alguma música de amor para sua amada, que no momento também escuta a mesma música de amor, Love Story, com a luz baixa e choramingando, e escrevendo em seu diário, “ It’s a love story, baby, just say yes ", um trecho da canção. Agora resta-me apenas esta maçã entre as minhas mãos, tão vermelha quanto a cor de sua boca e a suposta cor do seu vestido. Vou-me indo para não ser confundido com um boneco de neve ou um vagabundo desesperado chorando por sua dama.
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quinta-feira, 20 de maio de 2010
- (…) E o amor é sempre complicado. Mas, mesmo assim, os seres humanos precisam se amar, querida. A gente precisa ter o coração partido algumas vezes. Isso é um bom sinal, ter o coração partido. Quer dizer que a gente tentou alguma coisa.- Meu coração se partiu com tanta força da última vez – falei – que ainda está doendo. Não é uma loucura? Ainda estar com o coração partido quase dois anos depois do fim de uma história de amor?- Querida, sou do sul do Brasil. Sou capaz de ficar com o coração partido durante dez anos por causa de um mulher que nem cheguei a beijar.
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terça-feira, 11 de maio de 2010
Espero que.

Mas eu quero te falar de AMOR - assim mesmo, com letras maiúsculas - que me faça inspirar para eu poder respirá-lo. Falo daquele sentimento de um monte de definições, mas que sempre travamos quando vamos falar dele. Aquele em que só podemos sentir. Pronto, é isso. Preciso senti-lo. Preciso amar. Não são os beijos que constantemente dou, as juras que sempre faço ou os comentários pretenciosos que irão mudar essa minha busca - incansável - pelo amor. Posso ter milhões de rosas aos meus pés, mas quero aquela flor da Etiópia, justamente aquela entre as guerrilhas. Quero sentir o medo e a ousadia de amar novamente. E eu sei que vou encontrá-lo. Eu tenho que acreditar nisso.
Postado por Vanessa Rodrigues às 08:01 0 comentários



