segunda-feira, 18 de outubro de 2010


sexta-feira, 23 de julho de 2010

Na estrada



Utopia. Substantivo feminino que descreveu aqueles dias. Fecho os olhos, o seu cheiro me persegue. Aquela voz doce, de mulher que precisa de atenção, atormenta meus tímpanos. O gosto do seu beijo não sai de meus lábios. Seu toque, seu corpo, seus gestos, minuciosamente percorri por todo o seu ser, é dela que eu preciso. E eu que pensava que era um homem que jamais seria dependente de uma mulher. A ela, eu me rendi. Queria novamente um segundo ao lado dela, sentir seu hálito ao acordar, segurar a sua mão ao deitar, repetir durante todo o dia o quanto ela me faz feliz: o quanto és bela. Poderia levá-la a um jardim ou uma praia deserta, construir nossa casa branca, e em nosso quarto pintar uma única parede de rosa, ou a cor que ela quiser. Desejaria momentos como aquele dia, apenas o barulho do mar e o brilho das estrelas, e ela. Ela estava em meus braços, e eu contornava todo o seu rosto, uma perfeição. Ela não precisou dizer nada, escutar sua respiração já bastava, dava para sentir que ela era minha, e eu era seu. Nós formávamos um par. E que lindo par. E agora estou voltando pra casa, com minha cara amassada contra o vidro, vendo aquela mulher que eu tanto amo se derramar em lágrimas. Fixo meu olhar nela, seus dedos, seus cabelos, o tom da cor de seu batom, eu não sei se haverá outro dia ao seu lado, por isso meus olhos estão congelados, não posso perder um segundo sequer para admirá-la, queria abraçá-la sentindo seu corpo quente. O ônibus ligou, sei que me resta apenas alguns minutos para eu colocar um ponto final aqui, sair correndo para entregá-la este papel desbotado que encontrei em minha mochila, olhar em seus olhos, e dizer com as palavras mais sinceras que possam existir: o vento pode levar você de mim, mas o amor que existe entre nós, é mais forte que as forças vindas do céu, ele é eterno. E voltarei correndo para minha poltrona, não a beijarei, não quero ter seu último beijo com gosto de lágrimas, mas continuar com a sensação doce que sua boca me trás.


Ps.: Agora eu choro, não poderia chorar antes, para não ter suas últimas imagens desfocadas.

domingo, 30 de maio de 2010

Noutro Lugar

E eu costumo passear por aquele antigo jardim com cheiro de maçãs podres no centro da cidade, um suave aroma misturado com as essências de jasmins brancas, amarelas e de uma cor meio estranha, talvez desconhecida, ou conhecida por tal pessoa que vai aquele mesmo lugar todas as manhãs claras de primavera, e nas melancólicas tardes de outono. Mas em uma respiração escassa, prefiro os raios de sol queimando minhas retinas, uma claridade intensa até suportável, aparentemente calma. Um solitário metro quadrado de grama grita toda vez que ali percebe minha presença, é como se chorasse implorando um pouco de minha atenção, isto parece insignificante, mas é naquele minucioso espaço gramado que quase diariamente permito tirar o salto de uma grande mulher executiva que a sociedade me obrigada ser, para juntar os retalhos dos sonhos que ainda me restam. E o cheiro das maçãs podres alcança minhas narinas e surpreendentemente me arrancam um sorriso, seguidas de algumas gargalhadas que terminam ao perceber que existiam olhos a me reprimir, e recuo para meu paraíso perdido. Estou novamente pensativa. E os meus olhos vêem adiante do que minha vista alcança. É além. Não culpo ninguém por esta minha vida inexpressiva, não tenho direito de jogar nas costas de outra pessoa as minhas próprias derrotas, ainda tento ter o bom senso, e esse poder de persuasão em certos momentos me deixa leve, tão leve quanto uma folha que cai de uma laranjeira tão imensa que me impressiona, em uma queda livre chega ao chão sem barulho.
Os meus fantasmas são os meus próprios medos, eles teimam em me perseguir. Já chorei, bati pé, fingi um desmaio, mas eles permanecem intactos ao meu lado, até de certa forma aprendi a conviver com eles, uma eterna assombração. Mas não naquele jardim, parece que há na entrada, uma proibição para o invisível tenebroso, o jardim me trás paz. Consigo ler até alguns romances que me arrancam lágrimas e sussurros baixinhos, principalmente quando o final é feliz, diferente do meu. Não que ele tenha sido completamente triste, não serei incrédula ao dizer que ele não deu certo, lógico que deu, mas no tempo que durou. Se eu soubesse da existência deste jardim na época, teria vindo algumas vezes aqui para enamorar, não que isto mudasse a minha história, mas este ar puro faz bem a qualquer relacionamento, e se tivesse torradas com geléia de morango tudo ficaria mais colorido e gostoso. Percebo que ao redor de alguns casais os pássaros cantam um soneto de amor que jamais será reproduzido por instrumento algum, cria-se um clima de romance impecável, até invejável.
Despeço de minha grama favorita, ela reclama um pouco, mas não dou ouvidos, o jardim é imenso, e antes que o sol durma, ainda preciso pegar uma, ou duas das flores que enriquecem de beleza este lugar, a natureza não seria egoísta de me negar um pouco quase nada de sua felicidade, preciso depositá-las no cemitério da minha cabeça, é difícil conviver com lembranças aparentemente mortas, ainda rezo todos os dias para que elas se vão em paz. E por hoje é só, voltarei caminhando para casa carregando aquele cheiro podre que me acompanhou por todo o meu passeio. Amanhã espero o sol brilhando mais forte, enfeitando o céu um arco-íris com cores bem visíveis, paisagem indescritivelmente perfeita para uma oração no horizonte. Então que seja belo.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

[...] Estação



As minhas feições melancólicas deixavam toda a praça central da Nova Zelândia com pena de mim. As luzes escassas permitiam ao cenário uma tristeza indescritível. Eu não me importava. Crianças incansavelmente esculpiam um boneco de neve, enquanto suas mães desviavam os olhares minuciosos para um cara de vestes impróprias, para menos de sete graus que fazia, sentado em um banco do outro lado, com uma maçã entre suas mãos. Ele cantarolava baixinho. E este homem sou eu. Nunca fui íntimo do inverno, é uma estação de más lembranças. Deveríamos está dentro de um chalé com o aquecedor ligado e uma música ao fundo, Taylor Swift seria legal, não quão fazer sexo ouvindo Celebration de Madonna, mas não deixava de ser interessante. Ela usaria um vestido curto vermelho de um decote excitante, onde prenderia minha atenção nos primeiros segundos em que ela entrasse pela porta, e a roupa seria tão colada que na hora em que eu fosse tirá-la pensaria que ela pôs Super Bond, para que eu não ousasse tocá-la. Tolice. Salto alto, cabelos desfeitos e um sorriso perfeito. Uma taça de vinho do porto, legítima de Portugal, ajudaria a esquentar à noite, acompanhada de uma fondue de queijo ou de chocolate, a sua preferência. E quando chega pelo fim da garrafa, tento ser um cavalheiro chamando a donzela para dançar. Tiramos nossos sapatos e começamos a girar. Ela pisa no meu pé, eu sorrio. Fica ruborizada por está tonta e deixa-se conduzir. Nossos corpos juntos dançando em círculo chegam até a sala de estar, roda, roda, roda. Eu paro e a admiro, ela continua a rodar sem sair de onde estava, até debruçar sobre mim, cairmos sobre o tapete ao lado de uma lareira e de tanto rir, adormecermos abraçados um com o outro. Mas aqui estou sentando em uma praça central, vendo as mães indo embora com seus filhos super agasalhados, talvez a temperatura tenha caído mais um pouco. Novamente percebo que uma ou outra das mulheres olham para aquele homem triste e sozinho, cantando baixo alguma música de amor para sua amada, que no momento também escuta a mesma música de amor, Love Story, com a luz baixa e choramingando, e escrevendo em seu diário, “ It’s a love story, baby, just say yes ", um trecho da canção. Agora resta-me apenas esta maçã entre as minhas mãos, tão vermelha quanto a cor de sua boca e a suposta cor do seu vestido. Vou-me indo para não ser confundido com um boneco de neve ou um vagabundo desesperado chorando por sua dama.

quinta-feira, 20 de maio de 2010


- (…) E o amor é sempre complicado. Mas, mesmo assim, os seres humanos precisam se amar, querida. A gente precisa ter o coração partido algumas vezes. Isso é um bom sinal, ter o coração partido. Quer dizer que a gente tentou alguma coisa.- Meu coração se partiu com tanta força da última vez – falei – que ainda está doendo. Não é uma loucura? Ainda estar com o coração partido quase dois anos depois do fim de uma história de amor?- Querida, sou do sul do Brasil. Sou capaz de ficar com o coração partido durante dez anos por causa de um mulher que nem cheguei a beijar.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Espero que.


Mas eu quero te falar de AMOR - assim mesmo, com letras maiúsculas - que me faça inspirar para eu poder respirá-lo. Falo daquele sentimento de um monte de definições, mas que sempre travamos quando vamos falar dele. Aquele em que só podemos sentir. Pronto, é isso. Preciso senti-lo. Preciso amar. Não são os beijos que constantemente dou, as juras que sempre faço ou os comentários pretenciosos que irão mudar essa minha busca - incansável - pelo amor. Posso ter milhões de rosas aos meus pés, mas quero aquela flor da Etiópia, justamente aquela entre as guerrilhas. Quero sentir o medo e a ousadia de amar novamente. E eu sei que vou encontrá-lo. Eu tenho que acreditar nisso.

domingo, 9 de maio de 2010

O tal amor



O teu amor me cura de uma loucura qualquer.
Ah, mãe quanto amor.

sábado, 8 de maio de 2010

Alguns minutos e uma xícara de café


Não consegui dormir esta noite – nem a noite passada e a retrasada e a re-retrasada – e tantas outras noites onde vi a Lua em Virgem. Peguei-me pensando por diversas vezes em astrologia, na minha deficiência desde sempre em matemática e no eu - lírico tão eu. Eu pensei ferozmente em mim. Nos tantos e tantos nomes próprios que carrego sobre uma única face amassada e cansada de uma monotonia vital. Tão inútil. Pensei na minha inutilidade comigo mesma. Esqueci meu jornal em cima da mesa já faz dois dias e meio. Chove incontrolavelmente há mais de três horas e meia. Meu relógio está atrasado meia hora. E minhas meias soquetes não esquentam meus pés frios. Não me resta nada a não ser pensar. E os inúteis com tamanha inutilidade também tem a capacidade de pensar. E também merecem o seu respeito e o seu amor e a sua atenção e qualquer coisa do tipo que tenha alguém ao lado. Os inúteis também caminham. Falo isto, porque me ponho a caminhar em todos os dias de sol.
Mas no momento à água cai e da janela do meu quarto no décimo quarto andar vendo as gostas da chuva contra o vidro embaçado, compreendi que a gente não desama não deixa de pensar nem deixa de sentir falta. Vi – sentindo – que o amor sempre está dentro de um buraco – talvez negro – em alguma parte de nosso corpo. E quando alguém cutuca esse buraco, vão saindo alguns resquícios de luzes – falo justamente daquilo que não se desama, não se deixa de pensar e nem de sentir falta –. E percebemos que só fizemos enganar a todos – e principalmente a nós mesmo – durante todo esse tempo em que o buraco permaneceu fechado. Como nós. Como nossa janela em dias de chuva. Em dias tão frios quanto nossos pés, que mesmo com meias soquetes continuam gelados.
Caminhar pela casa o dia inteiro sem nada para fazer nada para descobrir ninguém para encher o saco, pode torna-se exaustivo. E eu estou bem exausta. Os inúteis também cansam da inutilidade. Quero programar a minha vida em suspiros. Perdi tantos segundos achando que tinha uma dimensão de dias para ser feliz, que juntando esses milésimos de hora perdi metade da minha vida. Agora só faltam cinco minutos para o novo paradigma. Suspirei. Talvez amanhã ligue para meu médico – ele precisa aumentar a dose do rivotril, a minha necessidade de dormir já é questão de bem estar da minha saúde – já que passa das 21h47min acredito que seria incomodo ligar para ele esta hora. Com o frio que está fazendo nesta noite de chuva, uma trepada seria legal. E talvez ele esteja fazendo algo legal – como trepando – ou bem ocupado para ouvir novamente meu desgosto sobre dias de chuva. Ah como tenho vontade nessas noites melancólicas de outono de ir para bem longe, sem deixar migalhas de pão pelo caminho, romper qualquer tipo de laço ou fita. Ir para uma quitinete na Suécia sem endereço. Fugir de mim para me encontrar, algo do tipo.
Tomei mais uma xícara de café – tenho tomado muita cafeína nestes últimos dias, talvez esse seja mais um dos motivos para eu nunca ter sono, costumo acreditar em mitos e até onde eu sei, o café espanta os sonhos e pesadelos – e tenho medo de meus dentes ficarem amarelados por isso, ainda bem que parei de fumar, senão o estrago estava feito. Mas bem que eu gostaria de fumar um maço agora, pelo menos eu teria algo nas mãos e algo para fazer. Olho para o relógio digital que comprei há pouco tempo sob a minha cabeceira, os minutos passam tão devagar que tenho pena dos gatos que possuem sete vidas, eu vivo uma e ela já é tão estranha. Pelo menos o sete é o número da perfeição. Não que eu compreenda muito – ou nada – de numerologia, acho até uma ciência interessante, mas já li algumas coisas sobre este número (que é o meu preferido).
Mais uma hora chovendo e minha ânsia de uma busca interior aumenta. Aquele caminho in me parece tão cheio de curvas – não que eu tenha medo ou preguiça ou qualquer outra coisa de encontrar o final – a questão é a fé mesmo. Ando com tão pouca fé (e não é fé em Deus que estou falando, mesmo eu tendo deixado de freqüentar a igreja todos os domingos pela manhã, continuo rezando todas as noites antes de dormir, e Ele bem que tenta me dá umas levantadas de ânimos, uns conselhos até pensáveis, Deus chega a ser um cara legal) é uma fé em mim. Levei tanto na cara que deixei de acreditar nas pessoas e suas boas intenções e as noites de chuva que eu tanto apreciava me parecem tão destruidora da fé – que eu não tenho.
Se amanhã houver sol vou batalhar por minha busca. Eu tenho que acreditar nisso, senão nada dará certo. Vou colocar um ‘Eu amo Você’ em todos os espelhos da casa, para cada vez que me olhar dá um certo incentivo de querer viver melhor por mim. Um dia ainda vou gostar de ver a chuva cair nas noites frias de outono, e não vou me importar se não terá ninguém ao meu lado, porque eu terei bastante fé para acreditar que está tudo bem e que eu não estou perdida e que a minha felicidade só depende de mim mesma. E eu vou está bastante feliz. Vou continuar arrastando minhas meias soquetes pela casa inteira – feito um vulto – tomando minha xícara de café bem quente e buscando fé. Eu tenho o direito à felicidade. Até os inúteis tem o seu valor.



Vanessa R.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Uma (des)esperança


Aquela sensação de pensar que poderia ter pensado mais, me incomoda profundamente – e por fora também. Lembrar do que não foi lembrado, deixa-me ainda mais frustrada. Formular frases – sem se importar com a regência, oração direta ou indireta, adjuntos adverbiais e etecétera - tornou-se quase relevante para o óbvio – que está entrando em desuso. Mas se você me ligasse esta madrugada tudo seria diferente. Não que eu cheguei a escrever tudo que eu quero – e preciso – te dizer, apenas pensei além do óbvio que antes não se foi pensado. Se meu telefone tocar nesta madrugada, meu corpo irá vibrar mais que o próprio aparelho, meus dedos por uns segundos irão se recusar a atender e meu coração temerá não falar tudo que está engasgado – feito um nó – em minha garganta. Irei suar e minha vontade – compulsiva – será de gritar de felicidade e medo. Você lembrou-se de mim. Esqueço na cabeceira meu copo de cachaça barata – minha única aliada nos últimos dias – e retiro aqueles segundos – quase intermináveis – para admirar seu nome na tela do meu telefone. Pulsa forte. Então eu imaginei o que eu já havia imaginado, mas não era nada em que a minha imaginação formulou. Era uma confusão concreta de pensamentos e sentimentos para decodificar – e codificar – em tão pouco tempo. Eu respirei. Ouvir tua voz – quase um alívio – deixou-me exaustiva, só tinha vontade de dizer que eu pensei em tudo – no meu limite, porque eu sei que o pensamento não tem fronteiras – e que tudo poderia mudar. Eu queria, acredito que você também queria.
A estação da rádio só tocaria músicas românticas, onde deixaria o momento ainda mais apreensivo e melodramático. Ouvir-te me traria o cheiro de jasmim, margaridas e hortênsias. Uma fusão de odor que me deixaria tonta. Mas eu iria te falar tudo em que eu havia pensado – e que eu estaria pensando naquele exato momento – e te deixaria tão feliz com meus pensamentos que eu mesma iria me surpreender com a minha capacidade de ir além do óbvio. Talvez se meu telefone tocasse nesta madrugada você conseguisse entender todas as minhas atitudes – impensadas – de querer te afastar de mim. Ousaria tocar em algumas poucas vezes no medo que você me trás. Você é tão surreal que me amedronta. Falaria umas metáforas para acobertar novamente o medo que você estava me trazendo. Nem eu mesma poderia entender. Desconversaria do ponto inicial – que sempre é o final – e comentaria sobre as últimas notícias do The New York Times e quem sabe a história da música que se passava ao fundo. Acredite, se você me ligasse nesta madrugada gozaria de felicidade ao saber que talvez você ainda queira a mim. Falaria-te que há muito tempo esperava por aquela ligação. Não importa. Eu te preciso de perto. Te preciso de longe. Te preciso até calado do outro lado da linha – mas se você preferir, eu posso te retornar, assim você não gasta com – o sem – barulho. Lembraria das nossas noites em Paris ou das nossas manhãs em Cabo Frio. Das estrelas que sempre caiam e do vinho na Praça de Amsterdã. O gosto de maçã chegaria a minha boca – e aquela cachaça barata continuaria esquecida por cima da cabeceira – e você sentiria também. Falaria que no momento em que você subiu no metrô, naquele momento pensei que não conseguiria mais pensar em nada, na verdade pensei que eu tinha te perdido para sempre – e isso permitia que eu não pensasse em mais nada. E que minha vontade era de correr aos prantos até a estação seguinte e gritar alto e bom som o quanto eu dependia – por mais que eu não queria – de você. Que todas as vezes que nós brigamos – por mais que eu estivesse certa – eu queria te pedir perdão, só para te ter mais depressa em meus braços. Que em todas as cores – falo da manhã, da tarde e da noite – tenho me afundado em cachaças baratas e cigarros amassados na tentativa de me esquivar de você. Mas que você está em tudo em que eu vejo em que penso – incluindo o além – e o que sinto. Todos os meus sentimentos são pré – e pós – destinados a você. Até os de raiva. Que em cada canto do meu corpo têm um resquício teu. Que até aquela banana caramelizada sente a tua falta. Confesso que eu sinto uma falta irracional de você. E não adianta se fico embriagada ou alienada, você sempre se faz presente de alguma maneira. E onde eu tento me refugiar, você me acha. Talvez você não entendesse, mas a cada vez que eu te queria longe de mim, era só uma tentativa infantil de você sentir a minha falta e falar tudo aquilo que eu gostaria – e precisava – ouvir naquele momento. Eu juro que eu ia te falar também. Mas naquele momento, naquele momento em que eu te afastei de mim, eu só desejava uma atitude sua. E era com o corpo debruçado em lágrimas que eu dizia que eu não te queria – quando a minha vontade era de contar-te que minha vida é mais sua do que minha. E que não há no mundo uma pessoa que me faça mais feliz do que você. E que todos os meus pêlos, cabelos, unhas, células – tronco – dentes, osso, carne, coração, corpo e alma só pertencem a ti. Porque é de ti que eu preciso. Porque é só você que eu AMO – em letras de forma. E de todas as coisas em que eu pensei em te dizer, talvez se meu telefone tocasse nesta madrugada – e após o medo de atender e que a alegria estrondaste por você ter se lembrado de mim – não adiantaria eu te falar nada em que eu pensei além do óbvio. Se meu telefone tocasse nesta madrugada eu ficaria calada. E você compreenderia em silêncio tudo o que eu queria falar além do que eu havia pensado.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Eu gosto de mim, por isso que escrevo.



"Sou pessoa de dentro pra fora. Minha beleza está na minha essência e no meu caráter. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente. Sou isso hoje. Amanhã, já me reinventei. Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim. Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina. E vice-versa. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar. Não me dôo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. Sou boba, mas não sou burra. Ingênua, mas não santa. Sou pessoa de riso fácil...e choro também!"