Aquela sensação de pensar que poderia ter pensado mais, me incomoda profundamente – e por fora também. Lembrar do que não foi lembrado, deixa-me ainda mais frustrada. Formular frases – sem se importar com a regência, oração direta ou indireta, adjuntos adverbiais e etecétera - tornou-se quase relevante para o óbvio – que está entrando em desuso. Mas se você me ligasse esta madrugada tudo seria diferente. Não que eu cheguei a escrever tudo que eu quero – e preciso – te dizer, apenas pensei além do óbvio que antes não se foi pensado. Se meu telefone tocar nesta madrugada, meu corpo irá vibrar mais que o próprio aparelho, meus dedos por uns segundos irão se recusar a atender e meu coração temerá não falar tudo que está engasgado – feito um nó – em minha garganta. Irei suar e minha vontade – compulsiva – será de gritar de felicidade e medo. Você lembrou-se de mim. Esqueço na cabeceira meu copo de cachaça barata – minha única aliada nos últimos dias – e retiro aqueles segundos – quase intermináveis – para admirar seu nome na tela do meu telefone. Pulsa forte. Então eu imaginei o que eu já havia imaginado, mas não era nada em que a minha imaginação formulou. Era uma confusão concreta de pensamentos e sentimentos para decodificar – e codificar – em tão pouco tempo. Eu respirei. Ouvir tua voz – quase um alívio – deixou-me exaustiva, só tinha vontade de dizer que eu pensei em tudo – no meu limite, porque eu sei que o pensamento não tem fronteiras – e que tudo poderia mudar. Eu queria, acredito que você também queria.
A estação da rádio só tocaria músicas românticas, onde deixaria o momento ainda mais apreensivo e melodramático. Ouvir-te me traria o cheiro de jasmim, margaridas e hortênsias. Uma fusão de odor que me deixaria tonta. Mas eu iria te falar tudo em que eu havia pensado – e que eu estaria pensando naquele exato momento – e te deixaria tão feliz com meus pensamentos que eu mesma iria me surpreender com a minha capacidade de ir além do óbvio. Talvez se meu telefone tocasse nesta madrugada você conseguisse entender todas as minhas atitudes – impensadas – de querer te afastar de mim. Ousaria tocar em algumas poucas vezes no medo que você me trás. Você é tão surreal que me amedronta. Falaria umas metáforas para acobertar novamente o medo que você estava me trazendo. Nem eu mesma poderia entender. Desconversaria do ponto inicial – que sempre é o final – e comentaria sobre as últimas notícias do The New York Times e quem sabe a história da música que se passava ao fundo. Acredite, se você me ligasse nesta madrugada gozaria de felicidade ao saber que talvez você ainda queira a mim. Falaria-te que há muito tempo esperava por aquela ligação. Não importa. Eu te preciso de perto. Te preciso de longe. Te preciso até calado do outro lado da linha – mas se você preferir, eu posso te retornar, assim você não gasta com – o sem – barulho. Lembraria das nossas noites em Paris ou das nossas manhãs em Cabo Frio. Das estrelas que sempre caiam e do vinho na Praça de Amsterdã. O gosto de maçã chegaria a minha boca – e aquela cachaça barata continuaria esquecida por cima da cabeceira – e você sentiria também. Falaria que no momento em que você subiu no metrô, naquele momento pensei que não conseguiria mais pensar em nada, na verdade pensei que eu tinha te perdido para sempre – e isso permitia que eu não pensasse em mais nada. E que minha vontade era de correr aos prantos até a estação seguinte e gritar alto e bom som o quanto eu dependia – por mais que eu não queria – de você. Que todas as vezes que nós brigamos – por mais que eu estivesse certa – eu queria te pedir perdão, só para te ter mais depressa em meus braços. Que em todas as cores – falo da manhã, da tarde e da noite – tenho me afundado em cachaças baratas e cigarros amassados na tentativa de me esquivar de você. Mas que você está em tudo em que eu vejo em que penso – incluindo o além – e o que sinto. Todos os meus sentimentos são pré – e pós – destinados a você. Até os de raiva. Que em cada canto do meu corpo têm um resquício teu. Que até aquela banana caramelizada sente a tua falta. Confesso que eu sinto uma falta irracional de você. E não adianta se fico embriagada ou alienada, você sempre se faz presente de alguma maneira. E onde eu tento me refugiar, você me acha. Talvez você não entendesse, mas a cada vez que eu te queria longe de mim, era só uma tentativa infantil de você sentir a minha falta e falar tudo aquilo que eu gostaria – e precisava – ouvir naquele momento. Eu juro que eu ia te falar também. Mas naquele momento, naquele momento em que eu te afastei de mim, eu só desejava uma atitude sua. E era com o corpo debruçado em lágrimas que eu dizia que eu não te queria – quando a minha vontade era de contar-te que minha vida é mais sua do que minha. E que não há no mundo uma pessoa que me faça mais feliz do que você. E que todos os meus pêlos, cabelos, unhas, células – tronco – dentes, osso, carne, coração, corpo e alma só pertencem a ti. Porque é de ti que eu preciso. Porque é só você que eu AMO – em letras de forma. E de todas as coisas em que eu pensei em te dizer, talvez se meu telefone tocasse nesta madrugada – e após o medo de atender e que a alegria estrondaste por você ter se lembrado de mim – não adiantaria eu te falar nada em que eu pensei além do óbvio. Se meu telefone tocasse nesta madrugada eu ficaria calada. E você compreenderia em silêncio tudo o que eu queria falar além do que eu havia pensado.
A estação da rádio só tocaria músicas românticas, onde deixaria o momento ainda mais apreensivo e melodramático. Ouvir-te me traria o cheiro de jasmim, margaridas e hortênsias. Uma fusão de odor que me deixaria tonta. Mas eu iria te falar tudo em que eu havia pensado – e que eu estaria pensando naquele exato momento – e te deixaria tão feliz com meus pensamentos que eu mesma iria me surpreender com a minha capacidade de ir além do óbvio. Talvez se meu telefone tocasse nesta madrugada você conseguisse entender todas as minhas atitudes – impensadas – de querer te afastar de mim. Ousaria tocar em algumas poucas vezes no medo que você me trás. Você é tão surreal que me amedronta. Falaria umas metáforas para acobertar novamente o medo que você estava me trazendo. Nem eu mesma poderia entender. Desconversaria do ponto inicial – que sempre é o final – e comentaria sobre as últimas notícias do The New York Times e quem sabe a história da música que se passava ao fundo. Acredite, se você me ligasse nesta madrugada gozaria de felicidade ao saber que talvez você ainda queira a mim. Falaria-te que há muito tempo esperava por aquela ligação. Não importa. Eu te preciso de perto. Te preciso de longe. Te preciso até calado do outro lado da linha – mas se você preferir, eu posso te retornar, assim você não gasta com – o sem – barulho. Lembraria das nossas noites em Paris ou das nossas manhãs em Cabo Frio. Das estrelas que sempre caiam e do vinho na Praça de Amsterdã. O gosto de maçã chegaria a minha boca – e aquela cachaça barata continuaria esquecida por cima da cabeceira – e você sentiria também. Falaria que no momento em que você subiu no metrô, naquele momento pensei que não conseguiria mais pensar em nada, na verdade pensei que eu tinha te perdido para sempre – e isso permitia que eu não pensasse em mais nada. E que minha vontade era de correr aos prantos até a estação seguinte e gritar alto e bom som o quanto eu dependia – por mais que eu não queria – de você. Que todas as vezes que nós brigamos – por mais que eu estivesse certa – eu queria te pedir perdão, só para te ter mais depressa em meus braços. Que em todas as cores – falo da manhã, da tarde e da noite – tenho me afundado em cachaças baratas e cigarros amassados na tentativa de me esquivar de você. Mas que você está em tudo em que eu vejo em que penso – incluindo o além – e o que sinto. Todos os meus sentimentos são pré – e pós – destinados a você. Até os de raiva. Que em cada canto do meu corpo têm um resquício teu. Que até aquela banana caramelizada sente a tua falta. Confesso que eu sinto uma falta irracional de você. E não adianta se fico embriagada ou alienada, você sempre se faz presente de alguma maneira. E onde eu tento me refugiar, você me acha. Talvez você não entendesse, mas a cada vez que eu te queria longe de mim, era só uma tentativa infantil de você sentir a minha falta e falar tudo aquilo que eu gostaria – e precisava – ouvir naquele momento. Eu juro que eu ia te falar também. Mas naquele momento, naquele momento em que eu te afastei de mim, eu só desejava uma atitude sua. E era com o corpo debruçado em lágrimas que eu dizia que eu não te queria – quando a minha vontade era de contar-te que minha vida é mais sua do que minha. E que não há no mundo uma pessoa que me faça mais feliz do que você. E que todos os meus pêlos, cabelos, unhas, células – tronco – dentes, osso, carne, coração, corpo e alma só pertencem a ti. Porque é de ti que eu preciso. Porque é só você que eu AMO – em letras de forma. E de todas as coisas em que eu pensei em te dizer, talvez se meu telefone tocasse nesta madrugada – e após o medo de atender e que a alegria estrondaste por você ter se lembrado de mim – não adiantaria eu te falar nada em que eu pensei além do óbvio. Se meu telefone tocasse nesta madrugada eu ficaria calada. E você compreenderia em silêncio tudo o que eu queria falar além do que eu havia pensado.

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